Tempo fechado para o Brainstorm




De uns meses para cá, comecei a notar que o Brainstorm, uma das práticas mais tradicionais para a obtenção de ideias criativas, começou a receber uma torrente de críticas. E olha que tem muita gente de quilate entre os seus detratores. Steven Johnson, por exemplo, um dos mais respeitados estudiosos sobre a criatividade, encabeça a lista. Diante disso me surge uma dúvida: as observações sobre esse tradicional método de produzir ideias são justas ou não?

Primeiramente, creio que é importante definirmos o que é o brainstorm? Popularmente conhecido como “tempestade de ideias”, trata-se de um encontro, formado por pessoas estratégicas, com data e local marcados, cujo objetivo é alcançar uma solução criativa, a partir de um problema apresentado aos participantes. Para que essa reunião flua, recomenda-se seguir algumas orientações:

1)      Antes de seu início, deve ser combinado o tempo de duração, uma vez que os participantes precisam deixar de lado, provisoriamente, seus afazeres e pensamentos, para se concentrar na resolução de uma tarefa.
 
2)      O ambiente deve ser confortável e iluminado. Se houver café, suco, água, balas e salgadinhos também ajudam. A ideia é deixar esse local descontraído e “menos” corporativo para que as ideias não se sintam inibidas para aflorar.
 
3)      Uma dica valiosa, proposta pelos autores Duailibi e Simonsen, no livro Criatividade e Marketing, é que alguém seja designado como moderador(a) daquela reunião. Geralmente, costuma ser indicado(a) o(a) mais experiente ou com maior conhecimento em relação a um tema.
 
4)      Não se deve censurar a sugestão do colega durante o período reservado para o brainstorming, sob risco de intimidá-lo ou desanimá-lo. Toda ideia é válida e merece atenção, inclusive, aquelas que parecem mais “viajantes”. Observações devem ser feitas somente após o período estabelecido para a reunião.
 
5)      Sim, é possível praticar o brainstorm sozinho. Os cuidados são semelhantes aos descritos anteriormente. O que complica é que, individualmente, podemos perder alguns parâmetros que dispomos quando criamos em companhia de mais pessoas. A insegurança em relação à qualidade de uma ideia tende a ser maior, justamente pela ausência de alguém que julgue o que foi pensado.
 
6)      Anote tudo. Tudo! De preferência, que seja registrado no papel por alguém da reunião. Quando digitamos as ideias no computador, corremos o risco de apaga-las para escrever outra frase em cima.
 
Retomando Steven Johnson, o estudioso americano, autor do fantástico livro “De onde vêm as boas ideias”, adverte que, por sua finitude, tanto de tempo quanto de espaço, o brainstorm acaba por não permitir que uma ideia amadureça devidamente. Um insight promissor pode ser abandonado e não florescer porque não foi cultivado de maneira adequada. Para ele, as ideias devem circular livremente, integradas ao próprio ambiente corporativo ou acadêmico, a fim de atingirem o seu apogeu.

Concordo com essa asserção de Steven Johnson, no entanto, saliento que, infelizmente, nem todas as empresas e pessoas têm à sua disposição um prazo mais dilatado para que uma faísca criativa prospere e ganhe a sustança necessária.

O brainstorm, na minha visão, continua sendo muito útil, pois, se não consegue acompanhar o processo de amadurecimento de uma ideia, em contrapartida, permite que pessoas, com visões e experiências distintas, abram horizontes e coloquem pensamentos em choque e em xeque. Dialogar com gente diferente é o embrião de novas sinapses, e pode acender novas centelhas criativas, que, quem sabe, originarão inovações.

Se a meteorologia acadêmica tem fechado o tempo para o brainstorm, particularmente, ainda o pratico, incentivo e valido como ferramenta eficaz para promover uma enxurrada de novas possibilidades criativas.

Victor Mazzei
Publicitário e Consultor de Treinamentos Corporativos

Psicoespaço Ltda.



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