O Ser em Construção - O Candidato em Pauta



Em um mundo utópico (ou distópico talvez), as pessoas poderão ser ainda mais facilmente reformatadas de acordo com seus desejos e aspirações.  
 
A humanidade caminha acelerada para isto. Vemos o avanço da ciência que vem buscando muito além de oferecer ao ser humano uma aparência mais jovem, busca também um cérebro mais ativo, como a recente comercialização de uma pílula que turbina o cérebro, reduz estresse, aumenta o foco entre outras promessas mais.
 
A moral da história é que ninguém mais tem tempo para investir em construir. O papo de trabalho de formiguinha, de dose homeopática não vem encantando mais. O discurso da vez é que se quer pra ontem e quem fez pra hoje já perdeu o time.
 
É mais fácil (e rápido) fazer uma cirurgia para moldar o corpo do que investir horas em cansaço, dietas e academias. Muito mais divertido tomar um aditivo cerebral e ficar “esperto” do que dedicar anos em estudo e curiosidade intelectual. As informações já nos vêm prontas da internet e mídias sociais e basta ler o lado pró e o lado contra e escolher no que acreditar. Não há caminho do meio, não há tempo para dúvidas e reflexões. O mundo pede respostas rápidas ainda que equivocadas. O maniqueísmo nunca esteve tão em alta e o politicamente correto tão agressivo.
 
Aos poucos (na verdade nem tão lentamente assim) vemos que pessoas e empresas vão perdendo a capacidade de se envolverem empaticamente com o processo de construção do outro. Isto leva tempo e  ninguém tem tempo para levar tempo. E no ambiente corporativo fica nítida a dificuldade em se humanizar o processo de escolha dos profissionais que buscam ingressar nas empresas. Numa atualidade Fast Food também se espera que os profissionais sejam prospectados de forma pronta, rápida e dentro do cardápio. Quem na empresa quer lapidar as competências que ainda não foram exploradas ainda que a pessoa as tenha latentes em si, ainda que exista a capacidade de SE TORNAR...?
 
Quem se arrisca a trabalhar as fraquezas e apostar nos pontos fortes se há tantos supostos candidatos perfeitos expostos por aí (será?).  Então, nesta adrenalina toda que comanda o século XXI, perfeito será muitas vezes aquele que consegue das as  respostas “certas” e se vender com aquela segurança que citamos acima, de quem não se importa em afirmar equívocos. Fazer a cara de quem mata um leão por dia também vem agregar valor a este perfil. Ainda que os leões nem sempre precisassem ser mortos, apenas convencidos. Cabe então um alerta. Um alerta sobre como estamos conduzindo as nossas escolhas e contratações. Uma pausa para reaprendermos a acreditar na capacidade de promovermos o desenvolvimento e crescimento das pessoas. Acima de tudo um alerta sobre nosso próprio talento para tomar decisões mais humanas e assertivas que envolvam maior empatia e mais “acreditar no outro” e também na nossa própria coragem de assumir o comando, de arriscar, de ensinar, de fazer gestão, de auxiliar na construção de profissionais, não idealizados, mas simplesmente possíveis.
  
“Na vida há tempo para se arriscar e tempo para se ser cauteloso, e um homem sensato sabe qual é a altura certa para cada uma destas coisas.”
 
Filme - Sociedade dos Poetas Mortos
 
Riviane Damásio
Psicóloga e Coordenadora de Recrutamento e Seleção
Psicoespaço Ltda



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