Criatividade Além da Idade




No texto anterior, promovemos uma breve discussão sobre a existência ou não de uma fase na qual somos mais criativos. Coincidentemente, li nas últimas semanas o livro “Como envelhecer”, de Anne Karpf e, em um dos capítulos, a autora comenta se deixamos de ser criativos à medida que ficamos mais velhos.

De acordo com o estudo, uma série de grandes personagens atingiu o seu apogeu criativo na suposta maturidade. Charles Darwin escreveu “A origem das espécies” aos 50 anos. Pablo Picasso perseverou produzindo até os 92 anos. Immanuel Kant redigiu o clássico livro “Crítica da Razão Pura” aos 62 anos. Com 71 anos, sir Paul McCartney produziu o álbum “New”, um dos mais criativos e consistentes de sua carreira solo. Esses são só alguns exemplos.

O médico psicanalista Elliot Jacques investigou a questão da produção intelectual e concluiu que, até os 35 anos, há uma tendência de que os criativos ousem e se arrisquem bastante. Entretanto, entre 35 e 65 anos, a criatividade deixa de ser tão experimental e passa a se manifestar de maneira mais lapidada, aprimorada e esculpida.

Essa é uma constatação que merece reflexão, pois verificamos em diversas empresas a prática de se descartar a mão-de-obra em idade avançada, privilegiando os mais jovens, que, por sua vez, trabalham por salários menores e condições que valorizam a velocidade nas resoluções.

Que fique claro: não me posiciono contra o ingresso de jovens no mercado de trabalho. Longe disso. O problema é quando ele ocorre motivado pela substituição de um trabalhador “ultrapassado” por um mais ágil. Agilidade pode até rimar com qualidade, mas está longe de ter o mesmo significado. A pressa produz celeridade na entrega de um produto ou serviço, embora, também promova erros e descuidos que dilaceram a reputação de instituições.

Daí a importância de se valorizar aqueles que têm um currículo recheado. Certamente, eles já erraram e acertaram muito. Dessa rodagem, há experiência de sobra que favorece quando se exige soluções de difícil desfecho. São situações recorrentes já percorridas, que, talvez, um jovem inexperiente tenha mais dificuldades para encontrar uma resolução.

Penso que essa maturidade adquirida pelos criativos acima dos 40 anos coincide com o conceito de “intuição lenta”, promovido pelo estudioso Steven Johnson. Para ele, as ideias não surgem totalmente prontas; elas aparecem em fragmentos, e, aos poucos, em tempos distintos, vão se somando, dando origem, aí sim, a uma proposta mais bem acabada. Por exemplo: um chef de cozinha não cria do nada um prato e já sai oferecendo aos clientes. Pelo contrário, ele testa combinações. Se sentir que falta um ingrediente, repensa a receita quantas vezes forem necessárias até encontrar o resultado que mais lhe agrade.

Imagina só, quantas possibilidades de ideias flutuam na cuca de quem tem cabelos grisalhos! Sem contar que, conforme envelhecemos, mais repertório cultural vai sendo formado e mais entendimento das sutilezas impostas pela vida é absorvido. Há aí uma riqueza inestimável. E ainda tem gente que menospreza isso.

Para finalizar, cito o violoncelista Pablo Casals, que, ao ser perguntado por um aluno por que, aos 91 anos, continuava a praticar, respondeu: “Porque estou progredindo”.

Criatividade pode não ter idade, mas tem maturidade, sim, senhor.

Victor Mazzei
Publicitário e Consultor de Treinamentos Corporativos
Psicoespaço Ltda.



Copyright Psicoespaço
Rua Capitão Domingos Correa da Rocha, 80/405 - Edifício Master Place, Bairro Santa Lucia, Vitória ES
Cep.: 29056-915
Telefones: (27) 3325-9924 | (27) 98895-8293 | (27) 98895-8294 | (27) 98895-8295

Faça parte de nossas
Redes Sociais!

Facebook da Psicoespaço Twitter da Psicoespaço Linkedin da Psicoespaço
design by: