A Profissão da Minha Vida
























Era uma segunda-feira, como qualquer outra. Todo mundo ainda meio enferrujado na sala de aula, fora do “fuso”, até que uma aluna me perguntou: 

- Professor, quando você decidiu que a publicidade seria a profissão de sua vida?
 
Não estava acostumado a receber questionamentos desse tipo. Naquele breve intervalo, refleti sobre minha trajetória. Poderia ter fantasiado na resposta, mas decidi ser honesto com a jovem: “Profissão de minha vida? Como responder isso se até hoje não sei o que quero ser quando crescer?” Risos geral, exceto da minha parte. Automaticamente, o clima murchou na sala. Provavelmente, o meu embaraço em lidar com aquela pergunta tenha transparecido. Mesmo após o término daquela aula, não conseguia desviar minha atenção.
 
 “O que eu quero ser quando eu crescer?” “Qual a profissão de minha vida?” Será que só existe uma resposta possível para essas perguntas?  Aleatoriamente, comecei a buscar algumas pistas.
 
Regressemos então aos meus 10 anos. Estava convicto que a melhor profissão do mundo era ter uma banca de revista. Tinha admiração pelo seu Juca, que me vendia gibis da Hanna Barbera e Turma da Mônica.  Meu irmão e meu pai compravam Placar e Quatro Rodas, respectivamente. Eu olhava aquela caixa cinzenta e imaginava que aquilo era o maior playground do mundo. “Que incrível deve ser trabalhar com revistas... Poder ler tudo de graça!”
 
O tempo caminhou e comecei a me apaixonar por filmes. Minha mãe, que era minha parceira no assunto, me subsidiava para que eu locasse quantos filmes quisesse. Em um dos meus aniversários, lembro que “me presenteei” com 8 filmes pra assistir entre sábado e domingo. Foi um período em que pensava seriamente que “trabalhar numa locadora é o trabalho de minha vida... Poder ver aquilo tudo!”
 
Porém, um programa de TV interferiu decisivamente no meu encaminhamento profissional: TV Pirata, exibido entre 1986 e 1992, na Rede Globo. Era fissurado naquele humor nonsense. Pirava nas paródias de propaganda. Era o top para mim. Nos últimos anos do programa, cheguei ao cúmulo de gravar todos os episódios em fitas VHS. Apertava o REC e o Pause assim que o intervalo começava ou terminava. Fascinado, idealizava: “queria muito escrever para esse programa”.
 
Influenciado pelo TV Pirata, decidi cursar publicidade. Lá, conheci um cara supimpa chamado Alexandre Affonso. Juntos, produzimos um jornaleco de humor, chamado Nada a Ver Daily. Datilografávamos as matérias; a página era montada de recortes. Aos olhos de hoje, tudo parecia mambembe, porém apaixonante. As pessoas riam, nos prestigiavam, até nos agradeciam por levar um pouco de alegria a elas. Cara, aquilo era sensacional. “Achei! É o que quero pro resto de minha vida”.
 
Pouco tempo depois, estagiava como Redator Publicitário. Ficava hipnotizado com as sacadas dos anúncios. Curtia os slogans, títulos, textos. Queria muito me tornar um profissional como aqueles que produziam propagandas premiadas. Escrevia, escrevia, mas se o cliente não aprovava, eu nem me abalava, então eu escrevia, escrevia...  Ah, e quando uma peça criada por mim era veiculada, ligava para todos os amigos e diza: “sabe aquele outdoor na avenida tal? Então, o título é meu”. Ali, eu bati o pé e afirmei: “É isso. A melhor profissão do mundo”.
 
Uma década se passou e eis que surgiu algo que até então não havia vislumbrado: ser professor. O que se iniciou ao acaso, passou a protagonizar minhas atenções. Como é bacana dar aula. Lidar com jovens, aprender coisas novas, trocar informações com colegas. Na minha cabeça tem pairado o pensamento: “caraca, sou pago para ler livros, dividir conhecimento com os outros... Não há algo melhor. Agora sim, encontrei a profissão de minha vida.”
 
Pois é, caro leitor, muita água já correu em minha vida profissional nessa dezena de anos. Da infância para cá, pude atuar em várias áreas. Felizmente. Também conheci muita gente brilhante e realizada naquilo que faz. E é essa vivência e bagagem que me credenciam para que hoje possa lhe afirmar com segurança que, enfim, descobri qual é, definitivamente, a profissão de minha vida. Sabe qual? A próxima.

Victor Mazzei
Publicitário e Consultor de Treinamentos Corporativos

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